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Autor Tópico: Guia de Iniciação ao Overclock  (Lida 1270 vezes)
30 de Outubro, 2007, 20:18:25
Diltiazem
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Guia de Iniciação ao Overclock


Guia de Iniciação ao Overclock
Este foi um guia que escrevi em Janeiro de 2006, e que pertencia ao fórum antigo, no entanto por considerar que poderia ainda ajudar alguém (uma vez que os princípios básicos se mantêm) decidi colocá-lo nesta nova vida do Tech4pc.

Para os mais distraídos, e que por esta altura estão a perguntar “over-quê”, aqui fica a definição da Wikipedia, o overclocking é o nome que se dá ao processo de forçar um ou mais componentes de um computador a funcionar a uma frequência mais alta do que as especificações do fabricante.
Com o passar do tempo o overclocking deixou de ser um passatempo de uma minoria, para passar a estar na cabeça da maioria dos utilizadores de PCs. Grande parte da responsabilidade nesta mudança ocorreu devido aos próprios fabricantes de motherboards que passaram a incluir todas as “features” necessárias ao overclocking nas suas BIOS.

O artigo que se segue é dirigido a todos aqueles que se pretendem iniciar nesta “arte”, mas que têm algum receio e que ainda necessitam de saber mais sobre o assunto. Claro que por si só, este pequeno artigo não é suficiente para explicar todas as subtis variações inerentes a cada sistema. Pretendo apenas aguçar o apetite e levar os interessados a querer saber mais. Até porque mesmo eu tenho muito para aprender neste campo.
Antes sequer de começar, devo deixar aqui um aviso. Quem faz o overclock, fá-lo por sua conta e risco, há sempre a hipótese de se danificar o equipamento, no entanto se forem cumpridas algumas regras o overclocking é uma tarefa bastante segura.

O Hardware

Sem hardware, não há overclock (oc) e isso é óbvio, mas os componentes que mais influenciam o oc são o CPU, a motherboard, as memórias e a refrigeração de todos estes componentes. O overclock pode ser ainda feito em placas gráficas, mas recai fora do âmbito deste artigo, e portanto ficará para outra oportunidade.

O Processador

O CPU é de facto um componente decisivo no oc, até porque em primeira instância será ele o principal alvo das nossas alterações.

Quando se pretende fazer oc a escolha do processador é muito importante, uma vez que existem cores mais “clockaveis” que outros. Tomemos por exemplo os AMD, os core Venice são por norma mais “clockáveis” que os Winchester. Claro que como em tudo há excepções, e é aí que entram os lotes e os “steppings”. Como na maioria das indústrias em que a produção é feita por lotes, os produtos individuais dentro do mesmo lote tendem a ser muito semelhantes, ora quando um CPU de um determinado lote ou “stepping” é um bom “overclocker” é provável que todos os CPUs desse “stepping” o sejam, no entanto e mais uma vez isto não é sempre verdade.

Como podem então saber se o CPU que têm em casa é um bom overclocker ou não? Bem retirem o dissipador e procurem pelo “stepping” gravado a laser no CPU, e a seguir pesquisem no amigo Google, ou num fórum como o do Overclockers UK.



A Memória

A memória desempenha também um papel importante no “overclock”, uma vez que existe uma relação directa entre o aumento do FSB (no caso dos Intel e AMD Socket A) e do HTT (no caso dos AMD 64). Manter as memória síncronas com o FSB/HTT permite geralmente uma performance superior, naturalmente apenas alguns módulos de memória permitem o sincronismo além de certos valores.

Por norma as memórias OEM não permitem grandes aventuras, mas mesmo assim é possível fazer “overclock” com este tipo de memórias através do uso de divisores – mas este assunto será mais aprofundado à frente. Admito desde já que não tenho experiência em “overclocking” com DDR2, e portanto o artigo incidirá mais sobre as memórias DDR, até que alguém me queira dar uma ajuda nestas memórias.

As melhores memórias para “overclock” dependem também do CPU escolhido. Um processador com um multiplicador baixo será melhor acompanhado por memórias com chips TCCD, que têm latências excelentes a DDR400, sendo que os melhores chips conseguem chegar a DDR600 com latências mais altas. Para os CPUs com multiplicadores elevados, caem melhor umas BH-5 ou CH-5 já que apesar de não chegam a frequências tão elevadas como as TCCD, mas conseguem timings melhores que estas a velocidades mais baixas, isto claro à custa de voltagens bastante elevadas – o que acaba por ser uma desvantagem na utilização diária.


A Motherboard

A seguir ao CPU é possivelmente o componente mais importante no “overclock”. A escolha da motherboard deve ser feita tendo o oc em consciência e como tal devem ser escolhido o melhor chipset para esse fim, e posteriormente analisar de entre os vários fabricantes as diferenças entre motherboards no que diz respeito a estabilidade, voltagens e performance. Para AMD as marcas mais indicadas para oc geralmente são a DFI e a ABit, e em Intel ABit e Asus, mas mesmo motherboards mais “modestas” permitem oc razoáveis.

A Refrigeração

O aumento da frequência, e em maior escala o aumento da voltagem dos componentes faz com que estes aqueçam mais, e portanto é necessário garantir que todos os componentes se mantêm a temperaturas de funcionamento óptimo.

A primeira coisa a garantir é o “airflow” da vossa caixa, e convém que usem pelo menos 2 ventoinhas de 80mm, uma a colocar ar (na frontal ou na base da caixa) e outra a retirar ar (na traseira ou topo da caixa). Nem todas as caixas são iguais e algumas permitem adicionar ventoinhas extra, a regra geral é ter mais ventoinhas a retirar ar do que a colocar de forma a garantir um “airflow” eficaz.

O cooler que é fornecido com o CPU apesar de não ser excelente é suficiente para pequenos overclocks, especialmente nos AMD64 que tendem a ser bastante frescos. Já no caso dos Intel Pentium4 com core Prescott, a aquisição de um cooler mais eficiente é indispensável já que estes cores aquecem muito. O objectivo é manter o vosso CPU abaixo dos 50ºC em full-load, isto é com aplicações pesadas a correr (como por exemplo loops de 3DMark).

Claro que se pensarem num oc mais radical é indispensável a aquisição de um cooler novo, ou mesmo de sistemas mais avançados de cooling, como sejam o Watercooling, Vapochill ou Dry Ice.

Convém também controlar a temperatura do chipset, existindo também soluções de cooling no caso de o stock não ser suficiente. No caso da utilização de memórias BH-5 ou CH-5 é recomendável o uso de dissipadores nas mesmas, e mesmo de dissipação activa para valores acima dos 3.0v.


O Overclock

Agora que já seleccionamos os nossos componentes chegou a altura de fazer o dinheiro render. Após a instalação do sistema operativo, começamos por entrar na BIOS (ou Basic Input Output System), e que apesar de ser uma área extremamente complexa nós só nos vamos debruçar nas settings que a oc’ing dizem respeito. Fica desde já a chamada de atenção que estas settings não existem em todas as motherboards, e que por vezes mesmo quando existem têm designações diferentes. Portanto se não encontrarem estas settings na vossa MB façam uma pesquisa sobre ela e vejam se elas não existem ou se simplesmente estão disfarçadas com outro nome.

As settings que mais nos interessam são as seguintes:
    - CPU Multiplier
    - FSB Frequency
    - PCI/AGP Lock
    - DRAM Settings
    - Vcore
    - HTT/FSB Frequency Ratio (apenas em AMD64)

CPU Multiplier ou Clock Ratio

Esta definição pega na frequência base do CPU e multiplica-a por um valor definido automaticamente. Por exemplo um Athlon 64 3000+ usa um FSB de 200MHz, que é multiplicado por 9, resultando nos 1800MHz de frequência para esse CPU. Como podem calcular alterar este valor para 10, resultaria em 2000MHz, ou seja overclocking. Esta é a única forma de fazer um oc unicamente ao processador sem usar divisores nas memórias, já que o FSB se mantém constante.

Infelizmente tanto a AMD como a Intel bloqueiam o multiplicador dos seus CPUs (sendo que alguns permitem a sua diminuição), no entanto existem algumas excepções como os Athlon XP-M e os Athlon da série FX.

FSB Frequency

Pela fórmula que vos introduzi anteriormente já devem ter percebido que o aumento do FSB irá originar o aumento da frequência do CPU, ou seja, se aumentar o FSB do mesmo 3000+ para 220MHz mantendo o multiplicador em 9, teremos 1980MHz.

A diferença principal em relação a usar o multiplicador é que aqui estamos a fazer overclock não só ao CPU, mas também às memórias e à velocidade com que o CPU comunica com os restantes componentes. E daí a importância da setting seguinte.

PCI/AGP Lock ou PCI/PCI-e Lock

A existência de um PCI Lock é indispensável para os sistemas oc usando o FSB, já na sua ausência o aumento do FSB implica um aumento da frequência dos bus PCI e AGP ou PCI-e (que por definição são 33, 66 e 100MHz respectivamente). Este aumento leva a um stress muito grande sobre os restantes componentes do sistema – como sejam os discos, unidades ópticas e placa gráfica –, e que muitas vezes levam a danos nestes componentes. O PCI Lock impede que estas frequências aumentem, independentemente do aumento do FSB e portanto permitem um oc seguro para os restantes componentes. Esta setting deve então estar sempre activa, e aos que têm MB sem esta opção o meu conselho é, não tentem o overclocking sequer a menos que queiram estragar o vosso PC.

DRAM Settings

Quando o overclock é feito utilizando o FSB, e como já referido anteriormente a frequência da memória aumenta de forma síncrona com o processador. A menos que as memórias sejam capazes de acompanhar o FSB até ao valor pretendido sem alterações, torna-se indispensável a utilização de divisores nas memórias, o uso de timings mais relaxados ou o aumento da voltagem.

No caso de memórias OEM ou de memórias value, a melhor opção é geralmente a utilização de um divisor. Ou seja, admitindo mais uma vez o 3000+ com FSB a 245MHz, as memórias OEM dificilmente chegarão aos 245MHz (DDR490), mas se utilizarmos o divisor 5/6 ou 166MHz (dependendo das marcas) as memórias ficarão a 200MHz (DDR400), ou seja à velocidade de funcionamento para que foram especificadas.

No caso de memórias com chips Samsung TCCD, estas têm normalmente timings de 2-2-2-5 a 200MHz (DDR400) e escalam muito bem apenas através de relaxamento de timings, sendo que é perfeitamente possível atingir os 300MHz (DDR600) com timings à volta de 3-4-4-8, naturalmente que nem todas as TCCD o conseguem.

As memórias com chips Winbond UTT CH-5 ou BH-5 são capazes de atingir velocidades elevadas, na ordem dos 240-250MHz mantendo timings apertados, isto à custa de voltagens elevadas. Têm performance superior às TCCD à mesma velocidade por terem timings mais apertados, mas a voltagem elevada acaba por ser um ponto negativo no uso diário. Recomendam-se voltagens até 3.3v para as CH-5 e 3.6v para as BH-5, no entanto tanto para uma como para a outra convém utilizar dissipação activa.

Para quem tem dúvidas sobre o funcionamento das memórias, ou quer saber mais sobre os timings e a sua influencia, esta apresentação da Corsair é um óptimo sítio para se começar.

Vcore

De acordo com os princípios da electrónica quanto mais corrente passa por um transístor, mais rapidamente ele é capaz de executar uma tarefa. Ora um CPU não é mais que milhões de transístores, e portanto se aumentarmos a voltagem fornecida ao CPU ele será capaz de aumentar a sua frequência de funcionamento.

É necessário ter muito cuidado no aumento da voltagem, já que vcore a mais pode matar um CPU, e desaconselho correr o CPU no dia-a-dia com voltagem diferente da definida pelo fabricante. O aumento de vcore deve ser feito gradualmente,sem nunca ultrapassar margens de segurança (pelo menos se não querem correr o risco de ficar sem o vosso precioso processador), e durante períodos de tempo curtos (o suficiente para correrem os benchmarks e mostrarem aos amigos o mega computador que têm).

É aqui também que vou falar no burn-in. Esta é uma técnica segundo a qual se utiliza o CPU numa situação de em que a frequência é a máxima possível para aquela voltagem. De acordo com esta teoria, a “fome” de voltagem a que o CPU é sujeito leva a que este se torne mais eficiente na utilização da corrente sendo que ao fim de algum tempo o processador é capaz de funcionar a frequências maiores usando a mesma voltagem.

Existem duas correntes relativamente à forma mais eficaz de o fazer, a primeira recomenda baixar a voltagem do CPU até ao mínimo estável à frequência de stock, a segunda aconselha correr o CPU à frequência mais elevada possível com voltagem stock. Não sei se alguma delas é de facto mais eficaz, mas por norma uso a segunda.

HTT/FSB Frequency Ratio

Os Athlon64 não utilizam um FSB “normal” mas um HTT-bus, e o seu valor por definição é 800MHz (para os Athlon64 Socket 754 e Sempron64) e 1000MHz para os Athlon64 Socket 939. O valor do HTT obtém-se multiplicando a frequência por 4x (Skt754) ou 5x (Skt939).Se aumentarmos a frequência para 250MHz o HTT chegará aos 1250MHz no nosso 3000+, e é possível que fique instável (se chegar a arrancar de todo), temos portanto de reduzir o seu valor para 4x de forma a termos novamente os 1000MHz. Para maior estabilidade o valor do HTT deve sempre ser menor ou igual a 1000MHz.

Testar a Estabilidade

Após definirmos as settings do nosso oc, vamos então testar a sua estabilidade. O primeiro teste é o Boot, se o PC não arrancar é porque exageraram e portanto impõe-se um “Clear CMOS” (procurem-no no manual da vossa MB) e analisem bem onde podem ter exagerado e eliminem o erro. O segundo teste de estabilidade é o Windows, se este arrancar bem é bom sinal, se ele se recusar a arrancar, bloquear no arranque ou tiverem ecrãs azuis… bem a cartilha é a mesma, identifiquem a setting que está a impedir a estabilidade.

Por fim, o Windows arrancou… parece estar tudo bem, então vamos testar esse oc ao limite, e para isso nada melhor que o Prime95 e o memtest386. O primeiro é um programa que faz uma série de cálculos complexos e que no fim faz a sua verificação, o que significa que se houver algum erro de cálculo provocado por oc exagerado ele é logo identificado. Convém correr este programa durante umas horas para um sistema “rock-stable”. O memtest386, destina-se a verificar se os erros vêm das memórias ou do CPU já que este programa pesquisa exaustivamente erros nas memórias.

Espero que este artigo ajude e incentive os participantes do fórum a começar nas lides do oc. Peço desde já desculpa, por qualquer erro ou incorrecção, mas sou apenas um curioso nestas coisas e portanto é normal que existam erros.

Cumps.


30 de Outubro, 2007, 21:42:17 #1
jsilas
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Re: Guia de Iniciação ao Overclock

Já estava a fazer falta isto bem me parecia. Bom tutorial.

Obrigado pela transferência para cá.


30 de Outubro, 2007, 22:06:57 #2
simao_morant
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Re: Guia de Iniciação ao Overclock

muito bom o tutorial... Beijo

eu estou a pensar em fazer um oc mas não sabia "onde" e "como" começar Rolar os olhos


aqui está um bom ponto de partida Wink

30 de Outubro, 2007, 22:20:52 #3
DuDaS
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Re: Guia de Iniciação ao Overclock

Muito bom tópico!


simao_morant, se quiseres cria uma thread que o pessoal ajuda. Wink


Tens dúvidas de informática e não podes visitar o fórum regularmente? Manda mail para duvidas@tech4pc.net !

Bass Player
31 de Outubro, 2007, 21:02:53 #4
simao_morant
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Re: Guia de Iniciação ao Overclock

Muito bom tópico!


simao_morant, se quiseres cria uma thread que o pessoal ajuda. Wink


ainda tenho que pensar bem  Contente

tipo...so faço OC ao pc se for mesmo preciso para o Crysis Grin

se não, não sei Indeciso

31 de Outubro, 2007, 21:18:43 #5
Diltiazem
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Re: Guia de Iniciação ao Overclock

Muito bom tópico!


simao_morant, se quiseres cria uma thread que o pessoal ajuda. Wink


ainda tenho que pensar bem  Contente

tipo...so faço OC ao pc se for mesmo preciso para o Crysis Grin

se não, não sei Indeciso

Mas não te custa nada abrir uma thread e perguntar. O overclock desde que feito com pés e cabeça é bastante inofensivo.

Cumps.


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